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Velejar de popa: largo, popa, regulagem e jibe

Por que o largo muitas vezes ganha da popa rasa, como regular e timonear com o vento por trás, como dar jibe num dinghy passo a passo e como conferir sua VMG na popa e seus ângulos de jibe com GPS.

Da equipe Waterspeed

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Close-up of a dinghy sailor hiking out through spray

Velejar de popa é velejar com o vento por trás, do largo até a popa rasa. Apontar direto para a boia de sotavento é o caminho mais curto, mas muitas vezes não o mais rápido: orçar um pouco para um largo e dar jibe costuma levar você antes. O resto é regulagem, equilíbrio e um jibe controlado.

Qual a diferença entre largo e popa?

No largo o vento entra pela alheta, a cerca de 135° do vento. Na popa ele vem direto de trás, a 180°.

Na popa as velas trabalham principalmente por arrasto, como um paraquedas. No largo elas ainda geram sustentação, como uma asa, então o barco costuma ser mais rápido. Um barco que veleja mais arribado do que um largo não consegue andar mais rápido do que o vento real.

Por que velejar direto na popa costuma ser mais lento?

Porque o barco é lento na popa rasa, e a velocidade extra no largo pode mais do que compensar a distância extra. O que conta é a VMG na popa: a velocidade com que você se afasta do vento.

Como diz o material de formação de treinadores da World Sailing, a linha reta é o caminho mais curto, mas quanto mais você se afasta dela, mais rápido anda e mais distância percorre. A 45° da popa rasa você percorre cerca de 1,4 vez a distância, então precisa andar mais de 1,4 vez mais rápido para ganhar.

O vento aparente explica a diferença. Na popa rasa sua velocidade é descontada do vento: com 10 nós de vento real, andando a 5 nós, você sente cerca de 5. Se você orçar, o vento aparente aumenta e vai para a frente.

Um exemplo do nosso guia de VMG: 9 nós a 135° de ângulo do vento real dão uma VMG na popa de 6,36 nós, enquanto 10 nós a 120° dão só 5,00. A maioria dos barcos acha sua melhor VMG na popa entre cerca de 130° e 150° de ângulo do vento real, dependendo do barco, do vento e das ondas. Com vento fraco, a North Sails desaconselha a popa rasa: o melhor rumo pode ficar até 40° mais orçado.

Como regular as velas na popa?

Folgue as velas enquanto arriba e depois ajuste o burro e a bolina conforme o vento.

  • Vela grande: folgue até ela panejar de leve ou encostar na enxárcia.
  • Burro (vang): com a retranca aberta, ele controla o twist. Mantenha firme, e bem caçado com vento forte, o que torna menos provável o barco rolar para barlavento. Com vento demais no largo? Folgar o burro tira potência.
  • Bolina: o mais alta que o barco permitir sem perder o rumo. Na popa ela pode subir quase toda. No largo, suba até o barco começar a escorregar de lado e depois desça um pouco. Se o barco rolar, desça alguns centímetros.
  • Buja: sem balão, na popa coloque do lado oposto à grande (em orelha de burro), com pau de spinnaker se tiver.

Onde fica o peso e quanto adernar?

Leve o peso para trás quando o vento aumenta. Mais atrás, o leme pega melhor e a proa sai da água.

Com vento muito fraco, um leve adernamento para barlavento reduz a área molhada. Com vento, adernar demais para barlavento pode iniciar um rolamento que termina em emborcamento para barlavento.

O que é velejar “by the lee” e por que é arriscado?

Você está velejando “by the lee” quando o vento já cruzou a linha de centro e entra levemente pelo lado da retranca. Nesse momento a retranca pode passar sem aviso: um jibe acidental.

Observe a parte de cima da valuma da grande: quando ela amolece e levanta, a retranca está prestes a passar. Uma pequena rondada ou o balanço nas ondas bastam. Num dinghy, um jibe descontrolado pode virar o barco; num barco de quilha, a retranca pode varrer o cockpit e ferir a tripulação. Na dúvida, orce alguns graus ou dê jibe de propósito.

Como dar jibe num dinghy passo a passo?

Prepare-se, mantenha a escota na mão e escolha você o momento em que a retranca passa.

  1. Olhe em volta, principalmente para sotavento, e confira se há espaço.
  2. Suba a bolina em parte. Toda abaixada, o barco pode tropeçar nela. Um pouco de bolina dá mais estabilidade na manobra do que nenhuma.
  3. Confira se o burro está caçado o bastante para a retranca não subir.
  4. Avise “Preparar para o jibe” e espere a resposta da tripulação.
  5. Arribe com suavidade até a popa.
  6. Observe a parte de cima da valuma. Quando ela amolecer, avise “Jibe”, passe a retranca com a escota, cabeça abaixada, e troque de bordo.
  7. Quando a retranca passar, centralize a cana do leme, ou dê um pouco de leme contrário, para o barco não orçar de repente.
  8. Folgue a grande no novo bordo, passe a buja, ajuste a bolina e siga velejando.

Num barco de quilha, cace a grande até o centro antes do jibe e folgue logo depois.

Quando usar balão ou gennaker?

Quando o vento entra bem por trás e você consegue controlar. Um balão simétrico com pau é o melhor nos ângulos mais abertos. Um assimétrico ou gennaker é mais uma vela de largo, então os barcos que o usam velejam mais orçados e dão mais jibes. Nos dois casos, folgue a escota até a testa começar a enrolar e depois cace só o suficiente para tirar o enrolado.

Como velejar de popa com segurança?

Respeite a retranca, confira o vento real e mantenha espaço a sotavento.

  • Na popa o vento parece mais fraco do que é. Ao voltar na orça ele vai parecer bem mais forte, então confira antes de se afastar muito do ponto de partida.
  • Mantenha a cabeça fora do caminho da retranca sempre que o vento vier de trás.
  • Num barco de quilha, arme um preventer da ponta da retranca até o mais à frente possível. Preso no meio da retranca, ele pode quebrá-la. Um freio de retranca desacelera a retranca em vez de segurá-la.
  • Regata? Dê jibe quando o vento rondar para a popa (forçando você a orçar para manter o ângulo), não quando rondar para a proa.

Como conferir a VMG na popa e os ângulos de jibe com GPS?

Grave a sessão, defina a direção do vento e compare as pernas de popa e os jibes. Veleje alguns minutos na popa rasa e alguns minutos no largo com o mesmo vento, e veja qual dá a melhor VMG.

O Waterspeed conta cada cambada e cada jibe e mostra quão rápida e limpa foi cada manobra, com a velocidade que você manteve. Toque num jibe para ver a velocidade de entrada e de saída e o ângulo girado: dar jibe entre dois largos a 140° de ângulo do vento real é um giro de cerca de 80°. O Waterspeed Ultra divide a sessão em pernas de orça e de popa com velocidade, VMG e ângulos, e desenha uma polar da sua velocidade em cada ângulo do vento. Dois limites: a VMG usa uma única direção média do vento para a sessão, e o GPS mede a velocidade sobre o fundo, então a corrente está nos números.

Veja também: O que é VMG?, Como velejar contra o vento, Como melhorar seus jibes com dados de GPS, Cambadas e jibes.

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